ATEMPA lança campanha contra o retorno das aulas presenciais em Porto Alegre

Nota pública defende que essencial é comida na mesa e vacina no braço! Essencial é a vida!

Em campanha lançada em suas redes sociais, a Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (ATEMPA) defende que é preciso ecoar os gritos dos/as educadores/as e coletivamente ampliar a discussão sobre as necessidades da educação pública municipal, assim como os problemas mais urgentes da cidade, que é alimentação, renda e vacina para todos/as.

Na nota pública “Essencial é comida na mesa e vacina no braço! Essencial é a vida!” lamenta as declarações do prefeito Sebastião Melo e do secretário de Saúde, Mauro Sparta, que propagandeiam a melhora da pandemia na Capital e defendem o retorno das aulas presenciais.

“Apesar do cenário caótico, a administração pública acha viável ceder à pressão dos empresários e retornar às aulas presenciais. Além disso, já temos conhecimento dos resultados catastróficos de retornos presenciais, sem a diminuição dos casos e sem vacinação para a ampla maioria da população”, destacam.

Para controlar a pandemia, a entidade salienta a importância de ampliar o acesso remoto na RME e garantir alimentação para todas/os, além de respostas rápidas do poder público. “Dados móveis e equipamentos para os educadores/as e estudantes da rede! Renda emergencial e alimentação digna e balanceada já! Isolamento social e vacinação para toda comunidade escolar!”, finaliza a nota.

Confira a íntegra do documento.

Essencial é comida na mesa e vacina no braço! Essencial é a vida!

Porto Alegre está em colapso. Mesmo com a taxa de ocupação das UTIs abaixo de 100%, isso não é sinal de melhora como propagandeia Sebastião Melo e o secretário da Saúde, Mauro Sparta.

O contágio segue alto, assim como as internações e mortes. No mês de março registramos um número maior de mortes do que de nascimentos na cidade. O Rio Grande do Sul segue em bandeira preta, desde o final de fevereiro, com mais de 23 mil mortes registradas.

Apesar do cenário caótico, a administração pública acha viável ceder à pressão dos empresários e retornar às aulas presenciais. Além disso, já temos conhecimento dos resultados catastróficos de retornos presenciais, sem a diminuição dos casos e sem vacinação para a ampla maioria da população.

Em São Paulo, de acordo com a pesquisa da REPU (Rede Escola Pública e Universidade), a incidência de covid-19 entre educadores foi quase 3 vezes maior do que na população estadual de mesma faixa etária (25 a 59 anos). Reabrir as escolas é colocar em risco educadores/as e a comunidade.

Sabemos que o ensino remoto também é precário e, desde o fechamento das escolas em março de 2020, pouco ou quase nada foi feito pela SMED em relação a alternativas pedagógicas que contemplem a maioria dos estudantes, visto a necessidade de dados móveis e equipamentos de qualidade para a realização das atividades.

Ao invés de medidas concretas e reais para a educação pública municipal, a secretária de Educação, Janaína Audino, prefere ignorar a falta de acesso tecnológico das comunidades e lançar um site, de forma totalmente desorganizada, sem previsão de como os estudantes irão acessá-lo e sem dialogar com os educadores/as.

Outra questão sem resposta é a insegurança alimentar.

Mais da metade da população brasileira está em situação de insegurança alimentar, isto é, com acesso restrito ou sem acesso à alimentação digna e balanceada. 50% da população! Não é apenas um número, existe um rosto, que tem cor, escolaridade e local de moradia. A fome não é um problema recente, mas foi potencializado com a pandemia. Como educadoras/es convivemos diariamente com estudantes que vivem a insegurança alimentar, muitas vezes têm como base alimentar a merenda escolar.

Logo após o fechamento das escolas, essa questão já aparecia em nossos debates enquanto rede. Nós organizamos campanhas de solidariedade para as comunidades escolares, mesmo sabendo que a insegurança alimentar não é um problema que será resolvido apenas com a solidariedade. É uma questão pública.

Por isso é urgente as respostas e transparência da gestão municipal diante da utilização da verba do PNAE, assim como um plano que dê conta do problema sem expor educadores/as e profissionais da assistência ao vírus, sendo uma alternativa o cartão alimentação (voucher), a partir da contrapartida da verba municipal, que inclusive foi debatida nas plenárias regionais realizadas pela ATEMPA E SIMPA no início de abril.

Para controlar a pandemia, ampliar o acesso remoto na RME e garantir alimentação para todas/os precisamos de respostas urgentes. Dados móveis e equipamentos para os educadores/as e estudantes da rede! Renda emergencial e alimentação digna e balanceada já! Isolamento social e vacinação para toda comunidade escolar!

#atempapralutar

Fonte: Brasil de Fato RS

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