Em negociações com Indriver e 99POP no TRT4, motoristas de aplicativos cobram reajuste

Os motoristas de aplicativos cobraram reajuste nas tarifas, durante as mediações com mais duas empresas que ocorreram na tarde desta terça-feira (1º) no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), em Porto Alegre.

Desta vez, as audiências reuniram o Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS) com a Indriver e a 99POP, separadamente, dando continuidade ao processo de negociações aberto em 23 de março pelo TRT4 com as quatro maiores plataformas que operam no Estado.

Indriver

A audiência com a Indriver partiu da proposta do Sindicato de que houvesse um preço mínimo pelos serviços prestados. Os representantes da empresa, no entanto, alegaram que preço mínimo seria incompatível com seu modelo de negócio de leilão de valores e rejeitaram a proposta.

Segundo o advogado do Simtrapli-RS, Antonio Escosteguy Castro, foi então apresentada uma alternativa de que fosse oferecido no aplicativo aos motoristas a explicitação de um valor médio de tarifa para o trajeto, que pudesse servir de parâmetro para a decisão do trabalhador. 

Além disto, o Sindicato propôs o aprimoramento dos canais de comunicação entre a empresa e os motoristas e defendeu maior segurança mediante a verificação da idoneidade dos passageiros. Para a entidade, a Indriver fica aquém do que já é praticado pelas outras plataformas. 

Os representantes da empresa pediram um prazo para responder às novas propostas e o TRT4 marcou uma nova audiência para o próximo dia 22, às 15h, a fim que seja trazida uma resposta aos trabalhadores.

99POP

A audiência foi bem mais tensa. Primeiramente, a 99POP rejeitou que o bloqueio permanente da secretária-geral do Simtrapli-RS, motorista Carina Trindade, tivesse motivação antissindical. A alegação da empresa é de que aplicara apenas o regramento do contrato, embora, invocando a cláusula de privacidade, não tenha revelado os motivos. 

O assunto será encaminhado à assessoria Jurídica do Simtrapli-RS para estudar as providências cabíveis na defesa da estabilidade no exercício do mandato sindical.

A mediação se estendeu sobre a reivindicação de reajuste nas tarifas e acerca do fim do programa 99POUPA. Embora a princípio recusassem as propostas, os representantes da empresa pediram também um prazo para consultar a matriz.
O Sindicato lembrou que em recente período foram concedidos reajustes em Florianópolis e outras cidades brasileiras. O TRT4 deu prazo até o próximo dia 15 para que a 99POP traga uma resposta.

Motoristas de aplicativos exigem valorização

“Esperamos que as empresas tragam respostas favoráveis às demandas dos motoristas. A categoria não aceita ser explorada. O nosso trabalho não está sendo valorizado e, por isso, seguimos firmes na luta pelo reajuste”, afirmou Carina. 

Além disso, a dirigente do Simtrapli-RS defende condições dignas de trabalho. “Não somos totalmente livres, como propagandeiam, uma vez que trabalhamos no sufoco e ainda sofremos bloqueios sem quaisquer justificativas”.

Mobilização e nova negociação com Cabify

Na próxima terça-feira (8), o Simtrapli-RS promove, em conjunto com as associações e grupos de motoristas de aplicativos, uma nova carreata unificada na capital gaúcha, com concentração a partir das 6h, no Largo Zumbi dos Palmares.

No mesmo dia, haverá nova audiência com a Cabify no TRT4 sobre as condições de sua saída do país. Na mediação ocorrida em 18 de maio, o Simprapli-RS reivindicou uma compensação financeira aos motoristas cadastrados em Porto Alegre, onde a empresa atua no RS.

A indenização seria feita na forma do previsto na Lei 4886/65 (Lei do Representante Comercial Autônomo), que em seu art. 27 prevê o pagamento, por ocasião da rescisão do contrato, de valor que não será inferior “a 1/12 (um doze avos) do total da retribuição auferida” durante o tempo em que prestou serviços.

Fonte: CUT RS

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